Campanha Eleitoral: entregando o ouro

Vou apanhar do meu amigo Diniz. Mas lá vai.

Toda campanha inteligente deve ser dividida em fases. Isso porque o interesse em eleição se altera com o tempo. No início da campanha tem poucas pessoas interessadas em eleição. Só quem lida direto com isso se preocupa. Com o tempo esse interesse cresce, até chegar pertinho do dia 03 de outubro.

Por isso fazer santinho em julho é um provável desperdício. Ninguém guarda a cola de votação por tanto tempo, nem os mais próximos. Quem sabe um interior distante, um parente de longe.

Dividir a campanha em fases e planejar cada etapa dela é fundamental. Saber o que vc vai precisar em cada momento e, se possível, já deixar tudo pronto. Isso é fundamental pra gastar menos e não perder tempo. Já disse antes, eleição é (também) gestão de tempo.

Vou propor aqui uma divisão de fases linear. Mas vc que é candidato esperto não vai estabelecer uma fronteira rígida. Uma fase começa no meio da outra e termina depois que a outra começou. Mas vá lá.

Lançamento: vai de 06 de julho até 15 de agosto. É hora do lançamento do candidato. De fechar os últimos apoios. Os bons materiais de campanha são aquele folder de apresentação geral e os primeiros materiais de visual. Os comitês devem ser inaugurados nessa época. Acho que 10% das pessoas se interessam por eleição em média nesse período. Só os caras que trabalham com política e os taxistas conversam sobre eleição...

Desenvolvimento: vai de 17 de agosto a 15 de setembro. Um mês pra vc botar a campanha na rua. Dia 17 começam os programas eleitorais de TV. O interesse por eleição multiplica. É hora de fazer materiais específicos. Fazer a primeira grande operação visual, botar o time em campo.

Reta Final: Vai de 16 de setembro a 26 de setembro. 10 dias. É hora da intensidade, do volume. De dizer "eu vou ganhar", mostrar isso nas ruas. O eleitor se decide intensamente nesse período, já discute eleição nos botecos e padarias, dentro dos ônibus. E o eleitor é seletivo, descarta os que não estão na disputa. Bote muito visual, distribua cédulas, e imponha seus argumentos.

BU: de 27 de setembro a 03 de outubro. Quem decifrar a sigla sabe que isso é proibido...mas... É a última semana, hora do pega-pra-capar. O eleitorado só fala nisso, eleição na porta. Fechar gente, aparecer em vários lugares ao mesmo tempo. Fazer os últimos programas, sintetizar os argumentos, corpo a corpo. E mobilizar milhares pra votar. Quem raciocina por números sabe, essa é (fora TV) a semana mais cara da campanha. É aqui que vc precisa estar forte!

Os sabidos preparam cada fase com antecedência. Planejam o que vão fazer e deixam margens de manobra. Reservam o dinheiro necessário, encomendam o material que precisam antes pra gastar menos.

Vc é esperto? Quer chegar lá? Então corre! faltam 13 dias e a primeira fase já está em plena construção...

3 comentários:

Manoel disse...

Esta estratégia de afunilamento é boa para quem tem muita pólvora no bolso, mas se for curta é melhor que seja iniciado um trabalho de fato em Julho na forma de divulgação confiável entre poucos para em Agosto e setembro a sua candidatura ser entendida e aceita no publico alvo, você pode até se limitar nos meses deJul.e Agosto, para em Set, ter mais volume, mas o inicio é fundamental.

Geraldo Leão disse...

Essa extrategia de campanha é muito boa para candidatos conhecidos.Isto é os eleitores já espera por esta candidatura.
Porem para candidatos não conhecido é necessário fazer uma divulgação extrategia antes. Isto é colocar seu nome no meio dos formadores de opinião.

Mauro Panzera disse...

Sobre os dois comentários, aparentemente contraditórios. Lembrar que sempre deve ser adaptado a cada candidato. Se ele é menos conhecido é fundamental que faça ampla divulgação de sua imagem agora. Se os eleitores já o esperam e ele é conhecido, melhor guardar "pólvora", como diz o Manoel.

Sobre o comentário dele, discordo. Dividir por fases a campanha é planejamento. Uma das principais vantagens disso é reduzir o custo.