Eleições no Amapá

Governo

Os dados da pesquisa Ibope no Amapá não trazem nada de novo. A P2 fez uma pesquisa interna que dizia a mesma coisa. Apenas a destacar o fato do governador Pedro Paulo ter se colocado na disputa. Pode, por sinal, se tornar o favorito.

Mas qualquer um dos quatro nomes pode ganhar a eleição para o governo. Será um jogo de estratégia.

Cabe registrar que o governo é bem avaliado. E a eleição não tem o clima da mudança. Até porque a maioria das pessoas tem a percepção de que a vida melhorou. Talvez essa seja a grande influência nacional nessa eleição. Fora isso, coisas como "palanque da Dilma", acho que são apenas componentes de retórica.

Pra ganhar esta eleição o futuro governador tem que captar o chamado voto médio. Tem que ser capaz de dialogar com o futuro. Há que se falar das insatisfações e dos problemas, mas o foco deve ser na solução deles e na capacidade de unir os amapaenses para isso.

Um velho discurso de oposição é um caminho furado pra esta eleição. Assim como um velho discurso de situação.

Acredito que os defensores da mudança ou de um novo rumo tem um grande desafio. Devem ser capazes de reciclar o discurso. A mera demarcação não cola. Pra ganhar, precisa ser capaz de dialogar com eleitores que hoje optam por outros candidatos. Tem que demonstrar a estes eleitores que são capazes de ser uma alternativa melhor. E isso não se faz dando porrada na preferência atual do dito cujo.

Falando diretamente. Camilo pra ser viável, tem que ser capaz de "roubar" votos que hoje foram para o Lucas. Tem que ser capaz de roubar votos inclusive da base governista.

Como fazer isso? Provavelmente fazendo o oposto do que clama a mais aguerrida militância... Ou seja, sendo amplo.

Já falamos antes. Não basta glorificar a aliança da esquerda. Esse é o caminho mais curto para a derrota. Nem cabe ao Camilo a defesa do legado do pai. Um seu eventual governo, sendo apresentado como uma continuidade dos oito anos que ficaram para trás, vai ficar nos sonhos dos ingênuos.

Senado

Na eleição para o senado isso é ainda mais evidente. Capi aparece longe e em terceiro por que o eleitor vota duas vezes. E a sua rejeição não atrai o segundo voto. Não cabe aqui discutir a origem dessa rejeição, provavelmente causada pelo controle que seus adversários tem de quase toda a opinião publicada.

Pra ter chances, Capiberibe precisa disputar esse segundo voto. Novamente, creio que isso não se faz com uma estratégia só de ataque. Digo o "só", porque talvez o caminho seja escolher um alvo apenas...

Fundamentalmente, Capi precisa ser capaz de dialogar com os que hoje o rejeitam.

Sei que isso não é fácil, pois significa fletar com uma parte dos adversários. Mas também há sempre a opção de manter a postura e acumular pra próxima...

Um comentário:

Luciana Capiberibe disse...

Olá Mauro, boa sua análise. Quem tem cérebro é pra pensar. Abs